Nos últimos anos, tem-se observado uma tendência entre os jovens: a fuga da complexidade das relações. Cada vez mais, vemos jovens optando por relacionamentos superficiais, fugindo do compromisso e da profundidade emocional que as relações verdadeiras exigem. Mas por que isso está acontecendo e quais são as consequências dessa tendência?
Vivemos em uma sociedade onde tudo é muito rápido e imediatista. As redes sociais nos permitem ter contato com muitas pessoas ao mesmo tempo e ter uma vida social virtualmente intensa, mas superficial. A ideia de estar sempre conectado, sempre disponível e sempre atualizado tem afetado nossa maneira de nos relacionarmos. Somos constantemente bombardeados com informações e estímulos que nos deixam ansiosos e com medo de perder algo importante. Essa cultura do imediatismo e da superficialidade tem contribuído para a fuga da complexidade das relações.
Não é incomum vermos jovens que preferem ter vários “contatinhos” do que um relacionamento sério. A ideia de se comprometer, de lidar com problemas e dilemas emocionais, é assustadora para essa geração. Preferem manter relações superficiais, despreocupadas e sem compromisso do que enfrentar as dificuldades que um relacionamento real pode trazer. Mas essa escolha tem um preço.
Ao fugir da complexidade das relações, os jovens estão perdendo a oportunidade de aprender e crescer em seus relacionamentos. É através dos desafios e dificuldades que se fortalecem os vínculos e se desenvolvem habilidades importantes como a empatia, a comunicação e a resiliência. Relacionar-se não é fácil, mas é exatamente isso que nos torna mais humanos e nos permite construir laços verdadeiros e duradouros. Quando nos limitamos a relações superficiais, perdemos a oportunidade de nos conhecermos e de conhecermos o outro de verdade.
Além disso, a fuga da complexidade das relações tem consequências na saúde mental dos jovens. A necessidade de estar sempre se relacionando e buscando aprovação nas redes sociais pode gerar ansiedade, baixa autoestima e até depressão. Quando se vive apenas de aparências e não se aprofunda nos relacionamentos, as expectativas são cada vez maiores e as decepções também. Isso pode levar ao sentimento de solidão e desconexão, mesmo estando constantemente rodeados de pessoas.
É importante que os jovens entendam que, apesar de ser mais fácil e confortável manter relacionamentos superficiais, é nos relacionamentos verdadeiros que encontramos felicidade e crescimento pessoal. Não se trata de romantizar o sofrimento ou em nenhum momento dizer que se deve permanecer em um relacionamento abusivo ou tóxico. Mas é necessário entender que é nos momentos difíceis que mais aprendemos sobre nós mesmos e sobre o outro.
Não devemos ter medo de nos comprometer e de nos aventurar em relações mais profundas. Devemos sim ter medo de nos privar dessas experiências e viver uma vida vazia, sem conexões verdadeiras. É preciso aprender a lidar com a complexidade das relações, pois é nesse processo que nos tornamos pessoas mais maduras e completas.
Portanto, a tendência de fuga da complexidade das relações pode até parecer mais fácil e confortável em um primeiro momento, mas a longo prazo, pode causar danos significativos em nossas vidas. Convido os jovens a arriscarem-se mais, a investirem em relacionamentos reais e a não se limitarem ao que é superficial e imediatista. A verdadeira felicidade está em se relacionar de forma profunda e significativa, mesmo que isso signifique enfrentar as complexidades e desafios que isso traz.





