As Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina, na Itália, estão oficialmente abertas e prometem ser um evento espetacular. No entanto, por trás de toda a emoção e competição, há uma realidade preocupante que não pode ser ignorada: o impacto do aquecimento global nas provas de inverno.
De acordo com dados do Instituto Talanoa, 85% da neve utilizada nas competições de 2026 será artificial. Isso significa que, para viabilizar as provas, os organizadores terão que produzir 2,4 milhões de metros cúbicos de neve artificial, o que requer um volume impressionante de 946 milhões de litros de água. Para se ter uma ideia, esse volume é equivalente a encher um terço do estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.
Essa dependência de tecnologia para gerar neve é uma tendência que vem se intensificando desde os Jogos de Sochi, em 2014. Em PyeongChang, em 2018, o índice de neve artificial chegou a 98%, e em Pequim, em 2022, todas as competições ocorreram com neve produzida por máquinas.
Infelizmente, essa é uma realidade que está se tornando cada vez mais comum nos Jogos de Inverno. Com o aquecimento global, os invernos estão ficando mais quentes e menos previsíveis, o que dificulta a manutenção da neve e aumenta a incerteza para as competições ao ar livre. Além disso, o número de localidades com confiabilidade climática para sediar os Jogos está diminuindo rapidamente.
De acordo com projeções do Instituto Talanoa, em 2050, apenas 52 locais no planeta serão considerados climaticamente confiáveis para sediar as Olimpíadas de Inverno. E em 2080, esse número pode cair para apenas 46, mesmo em um cenário intermediário de redução de emissões de gases do efeito estufa.
No entanto, o impacto do aquecimento global nas provas de inverno vai além do esporte. A neve funciona como um reservatório natural de água, liberando-a gradualmente ao longo do ano. Com menos neve, há uma menor vazão de rios, o que pode causar pressão sobre os reservatórios, prejuízos ao turismo de montanha e desequilíbrios em ecossistemas adaptados ao frio. Isso afeta não apenas a economia local, mas também os modos de vida das comunidades que dependem dessas atividades.
Os Jogos Olímpicos de Inverno foram criados em 1924, nos Alpes franceses, em uma época em que a neve natural era abundante. As sedes tradicionais concentram-se em áreas de montanha e altas latitudes, historicamente associadas a invernos frios, como os Alpes europeus, o Canadá, os Estados Unidos e o norte da Ásia. No entanto, um século depois, os dados mostram que, sem a ajuda de máquinas, canhões de neve e grandes volumes de água, o evento simplesmente não aconteceria.
Isso nos faz refletir sobre como as mudanças climáticas estão impactando e remodelando tradições globais consolidadas. É importante que todos nós, como sociedade, tomemos medidas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa e combater o aquecimento global. Além disso, é necessário que os organizadores dos Jogos Olímpicos de Inverno busquem alternativas mais sustentáveis para a produção de neve artificial, como o uso de fontes renováveis de energia.
Apesar dos desafios enfrentados pelas Olimpíadas de Inverno de Mil





