Com espartilhos e ligas, a estrela coloca “O Morro dos Ventos Uivantes” no centro da discussão e transforma seus figurinos em espetáculo fashion
Os clássicos da literatura têm o poder de transcender gerações e permanecer relevantes mesmo após décadas de seu lançamento. Um exemplo disso é o livro “O Morro dos Ventos Uivantes”, escrito por Emily Brontë no século XIX. A obra, que narra uma história de amor e vingança em uma atmosfera sombria e intensa, ganhou uma nova roupagem nos últimos anos graças à sua adaptação para o cinema e para a televisão. No entanto, uma versão em particular tem chamado a atenção do público: a produção da emissora britânica ITV, que traz uma abordagem fashion e ousada para os figurinos, com a presença marcante de espartilhos e ligas.
A série, que foi ao ar em 2009, conquistou o público e a crítica por sua fidelidade à obra original e por sua estética impecável. Mas o que realmente tem chamado a atenção é a forma como os figurinos foram utilizados para contar a história e transmitir a personalidade dos personagens. Com a direção de arte de James Merifield e o trabalho da figurinista Kari Perkins, a produção conseguiu criar um visual que é ao mesmo tempo fiel à época retratada na história e moderno o suficiente para atrair o público atual.
O uso de espartilhos e ligas, peças que eram comuns no século XIX, mas que hoje são consideradas símbolos de opressão feminina, foi uma escolha ousada, mas que se mostrou acertada. Os espartilhos, que eram utilizados para moldar a silhueta feminina, foram utilizados de forma estratégica para ressaltar a sensualidade e a força das personagens femininas. Já as ligas, que eram utilizadas para segurar as meias das mulheres, passaram a ser utilizadas como uma forma de mostrar a ousadia e a rebeldia das personagens.
Além disso, os figurinos também foram utilizados para diferenciar as classes sociais retratadas na história. Enquanto os personagens da alta sociedade usavam roupas luxuosas e elaboradas, com tecidos finos e bordados, os personagens da classe trabalhadora tinham figurinos mais simples e desgastados. Essa diferença visual foi fundamental para transmitir as tensões sociais presentes na trama e para mostrar as dificuldades enfrentadas pelos personagens mais pobres.
Outro ponto que merece destaque é a forma como os figurinos foram utilizados para transmitir a personalidade dos personagens. A protagonista Catherine Earnshaw, por exemplo, é uma personagem forte e determinada, que se rebela contra as convenções sociais e não tem medo de lutar pelo que quer. Seus figurinos, com espartilhos justos e cores vibrantes, refletem essa personalidade intensa e apaixonada. Já o protagonista Heathcliff, que é um personagem sombrio e misterioso, tem seu visual marcado por cores escuras e roupas pesadas, que reforçam sua personalidade complexa.
Com isso, a série conseguiu transformar os figurinos em um espetáculo à parte, que chama a atenção do público e se torna um elemento fundamental para a narrativa. Os figurinos se tornaram tão marcantes que, em muitos momentos, roubam a cena e se tornam o foco da atenção dos espectadores.
Além disso, a produção também conseguiu trazer uma discussão importante sobre a moda e seu papel na sociedade. A escolha de utilizar peças que eram consideradas símbolos de opressão feminina, mas que aqui são utilizadas de forma emp





