O “abre aspas” e o “fecha aspas” na fala da imprensa brasileira
É comum ouvirmos, nos telejornais brasileiros, os repórteres utilizarem as expressões “abre aspas” e “fecha aspas” antes de citarem alguma declaração ou opinião de uma fonte. Essas expressões, que são utilizadas para indicar o início e o fim de uma citação, tornaram-se parte da linguagem da imprensa brasileira. Mas será que essa é a forma correta de se referir às aspas na fala?
Antes de respondermos a essa pergunta, é importante entendermos o papel das aspas na linguagem escrita. As aspas são utilizadas para destacar uma palavra ou trecho de texto, dando ênfase ou indicando que se trata de uma citação. Na linguagem falada, porém, não há a necessidade de se utilizar as aspas, pois a entonação e o contexto já indicam que se trata de uma citação.
No entanto, a imprensa brasileira adotou o uso das expressões “abre aspas” e “fecha aspas” na fala, talvez como uma forma de garantir que os telespectadores entendam que se trata de uma citação. Mas essa prática tem gerado críticas e questionamentos por parte de linguistas e especialistas em comunicação.
Um dos principais argumentos contra o uso do “abre aspas” e “fecha aspas” na fala é que essas expressões quebram a fluidez e naturalidade da comunicação. Ao utilizá-las, o repórter interrompe a sua fala para indicar que está citando alguém, o que pode causar uma quebra de ritmo e prejudicar a compreensão do telespectador.
Além disso, o uso dessas expressões pode passar a ideia de que a citação é algo duvidoso ou questionável, o que pode comprometer a credibilidade da informação transmitida. Afinal, se a declaração é verdadeira e confiável, por que é preciso reforçar com o “abre aspas” e “fecha aspas”?
Outro ponto importante a ser considerado é que, ao utilizar essas expressões, a imprensa brasileira está seguindo um padrão adotado pela mídia norte-americana. No entanto, cada língua possui suas particularidades e formas próprias de se expressar. O uso do “abre aspas” e “fecha aspas” na fala pode ser considerado uma imitação desnecessária e pouco eficaz.
Diante desses argumentos, é válido questionarmos: será que não é possível transmitir uma citação de forma clara e natural, sem a necessidade de utilizar o “abre aspas” e “fecha aspas”? A resposta é sim. Existem outras formas de indicar que se trata de uma citação, como por exemplo, a entonação da voz, o uso de gestos ou até mesmo a inserção de uma imagem ou vídeo da pessoa citada.
É importante ressaltar que não estamos defendendo o fim do uso das aspas na fala da imprensa. Pelo contrário, acreditamos que elas são fundamentais para garantir a veracidade e a transparência das informações transmitidas. No entanto, é preciso repensar a forma como elas são utilizadas, buscando uma comunicação mais fluida e natural.
Em resumo, o “abre aspas” e o “fecha aspas” são expressões que se tornaram comuns na fala da imprensa brasileira, mas que podem comprometer a fluidez e a credibilidade da comunicação. É preciso repensar o seu uso e buscar formas mais eficazes e naturais de transmitir uma citação. Afinal, a língua é viva e está em constante evolução, e cabe a nós, comunicadores, acompanharmos essas mudan





