No dia 18 de março de 2021, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) deu um prazo de 180 dias para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apresentasse novas normas que modernizassem o mercado de cannabis medicinal no Brasil. Esse prazo se encerrou no último dia 13 de setembro e, apesar de muitas expectativas, a agência não cumpriu com o prazo estabelecido.
A decisão do STJ foi tomada após uma ação movida pela Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace), que luta pelo acesso à cannabis medicinal para tratamento de diversas doenças. A entidade alega que a falta de regulamentação da Anvisa dificulta o acesso dos pacientes à medicação e também prejudica o desenvolvimento do mercado nacional.
A principal mudança esperada era a autorização para o cultivo de cannabis para fins medicinais no país. Atualmente, a importação de produtos à base de cannabis é permitida, mas com altos custos e burocracias que dificultam o acesso da população. Com a autorização do cultivo, seria possível reduzir esses custos e aumentar a oferta de medicamentos no mercado interno.
Além disso, outra mudança esperada era o aumento do limite de teor de THC (tetra-hidrocanabinol) permitido nos produtos. Atualmente, a Anvisa limita o teor de THC em 0,2%, o que é considerado muito baixo para a eficácia do tratamento de algumas doenças. A expectativa era que esse limite fosse aumentado para 0,3%, o que ainda é considerado baixo se comparado a outros países que já regulamentaram o uso medicinal da cannabis.
No entanto, a Anvisa alegou que não conseguiu cumprir o prazo devido à complexidade do tema e à necessidade de mais estudos e discussões. A agência também afirmou que está trabalhando em um novo marco regulatório para a cannabis medicinal, mas não deu um prazo para sua conclusão.
Essa decisão da Anvisa gerou preocupação e descontentamento no mercado de cannabis medicinal. Muitas empresas e investidores aguardavam ansiosamente por essa regulamentação para poderem atuar no mercado brasileiro. Além disso, pacientes e familiares de pacientes que dependem da cannabis para tratamento também ficaram frustrados com a falta de avanço na regulamentação.
No entanto, é importante ressaltar que a decisão do STJ ainda está em vigor e a Anvisa pode ser penalizada caso não cumpra com o prazo estabelecido. Além disso, a agência já realizou algumas ações que indicam uma possível abertura para o mercado de cannabis medicinal, como a autorização de produtos à base de cannabis para tratamento de epilepsia e a realização de audiências públicas para discutir o tema.
É preciso lembrar que a regulamentação da cannabis medicinal é uma questão de saúde pública e deve ser tratada com seriedade e responsabilidade. É necessário que haja uma ampla discussão e estudos para garantir a segurança e eficácia dos produtos, mas também é importante que haja agilidade nesse processo para que os pacientes não sejam prejudicados.
A regulamentação da cannabis medicinal no Brasil é um passo importante para o desenvolvimento do mercado e para garantir o acesso dos pacientes à medicação. É preciso que a Anvisa cumpra com o prazo estabelecido pelo STJ e apresente normas que modernizem o mercado e garantam o acesso seguro e eficaz da cannabis medicinal no país.
Enquanto isso, é importante que a sociedade continue acompanhando e cobrando ações da Anvisa para que a regulamentação seja concluída o mais breve possível. A cannabis medicinal é uma alternativa de tratamento para diversas doenças e não pode mais ser ignorada no Brasil. A hora de avan





