Binance retoma saques após recuperar 95% dos US$ 6,3 bilhões roubados

Binance retoma operações de saque após roubo bilionário
A Binance, maior plataforma de negociação de criptomoedas do mundo, reabriu no domingo (1º) seus serviços de retirada para bitcoin, ether e diversas stablecoins, após recuperar a maioria dos ativos desviados em um ataque cibernético. O roubo de criptomoedas na Binance representou uma das maiores operações de furto digital já registradas, com perdas iniciais de US$ 6,3 bilhões (R$ 34,2 bilhões) em tokens.
A companhia conseguiu recompor 95% do valor total roubado e afirmou que outros criptoativos serão liberados gradualmente para retirada. Até as 12h30 (horário de Brasília) do domingo, a empresa registrou US$ 3,64 bilhões (R$ 19,7 bilhões) em saídas líquidas, demonstrando confiança dos clientes na plataforma após o incidente de segurança.
Cronologia do ataque e processo de recuperação
A recompra de tokens foi possível porque a Binance alocou recursos próprios para substituir os criptoativos comprometidos. A instituição afirmou ter investido US$ 6 bilhões (R$ 32,5 bilhões) em reposição de tokens utilizando diferentes fontes de capital, garantindo que os clientes não sofressem perdas.
O roubo ocorreu ao longo de aproximadamente 20 minutos, iniciando na noite de quinta-feira. Richard Teng, co-CEO da Binance, descreveu o incidente como um "ataque complexo" que incluiu o comprometimento de um laptop e a instalação de software malicioso projetado para eliminar evidências e dificultar investigações. O episódio se integra a uma série crescente de ataques contra o setor de criptomoedas, que registrou ataques no valor total de US$ 2,9 bilhões (R$ 15,7 bilhões) distribuídos em aproximadamente 150 operações criminosas durante o ano anterior, conforme dados da TRM Labs.
Distribuição dos recursos de recomposição
Os recursos mobilizados para recuperação originaram-se de múltiplas fontes dentro da estrutura patrimonial da Binance. O Secure Asset Fund for Users (SAFU), fundo de proteção de aproximadamente US$ 1 bilhão (R$ 5,4 bilhões) mantido especificamente para salvaguardar usuários em situações de comprometimento de segurança, teve metade de seu saldo utilizado. Yi He, co-CEO da Binance, informou que a empresa se responsabilizaria por recompor esse fundo para retornar aos níveis originais de US$ 1 bilhão. Complementarmente, utilizaram-se parcelas do fundo de seguros associado a operações de futuros e reservas de caixa corporativo.
Investigação aponta responsabilidade da Coreia do Norte
O Federal Bureau of Investigation (FBI) identificou o grupo TraderTraitor, organização de cibercriminosos vinculada ao governo norte-coreano, como responsável pela operação de roubo na Binance. A agência estadunidense registrou movimentações dos hackers convertendo principalmente os ativos sequestrados em ether, com perspectiva de posteriores etapas de lavagem de recursos através de plataformas descentralizadas de finanças (DeFi) e serviços de câmbio instantâneo de criptomoedas.
Firmas especializadas em análise blockchain, como TRM Labs e Chainalysis, corroboraram a atribuição do ataque à Coreia do Norte, apontando similaridades entre essa operação e grandes ataques anteriormente creditados à mesma nação. Aproximadamente US$ 3 bilhões (R$ 16,3 bilhões) dos ativos roubados foram identificados e congelados mediante colaboração entre a Binance e parceiros do setor até sexta-feira.
Resposta diplomática e posicionamento norte-coreano
A Coreia do Norte mantém negação histórica quanto ao envolvimento de grupos cibernéticos estatais em operações de espionagem, furtos financeiros e obtenção de receitas ilícitas. Tanto a delegação norte-coreana em Genebra quanto sua representação diplomática na China deixaram sem resposta os pedidos de comentário formulados sobre o episódio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou cautela em relação à autoria do ataque, declarando no sábado que autoridades americanas ainda investigavam se efetivamente a Coreia do Norte estava envolvida. "Não sabemos se é a Coreia do Norte, mas, se for, conversaremos com a Coreia do Norte sobre isso", afirmou Trump a jornalistas, comunicação posteriormente divulgada pela conta da Casa Branca na plataforma X.
Posicionamento da Binance e proteção de usuários
A Binance publicamente assumiu integral responsabilidade financeira pelos prejuízos gerados pelo roubo cibernético e reservou aproximadamente US$ 6,34 bilhões (R$ 34,4 bilhões) oriundos de recursos corporativos para cobertura completa das perdas. A declaração institucional garantiu que usuários não experimentariam impactos diretos em seus saldos.
Changpeng Zhao, fundador e presidente da Binance, expressou gratidão formal ao FBI pela assistência técnica fornecida durante investigação e operações de rastreamento e congelamento de ativos. Zhao havia sido anteriormente condenado nos Estados Unidos por deficiências em processos de prevenção à lavagem de dinheiro, recebendo subsequentemente indulto presidencial de Trump. Em publicação na plataforma X, Zhao enfatizou que a intervenção das autoridades federais evitou depreciações ainda mais acentuadas nos preços das criptomoedas durante o período crítico pós-ataque.
Impacto no mercado de criptomoedas
Os valores das criptomoedas sofreram reduções na sexta-feira, período em que a Binance efetuava comunicações para tranquilizar sua base de usuários e reafirmar a integridade das salvaguardas de segurança implementadas. A plataforma, que permite operações de compra, venda e negociação de ativos digitais, registrava 335 milhões de usuários cadastrados globalmente e administrava aproximadamente US$ 162,8 bilhões (R$ 888,6 bilhões) em ativos sob custódia conforme seu relatório institucional anual de 2025.
O episódio reforça a importância contínua de medidas de segurança robustas no ecossistema de criptomoedas, especialmente considerando a magnitude sem precedentes das operações criminosas direcionadas ao setor. A resposta rápida e estruturada da Binance em recompor integralmente as perdas utilizando recursos próprios estabeleceu precedente significativo nas práticas de resiliência operacional de plataformas de criptoativos.




