Cinoterapia com cães do Bope beneficia crianças autistas

Sessão de cinoterapia com crianças autistas em Macapá
Uma atividade terapêutica envolvendo cinoterapia com crianças autistas foi realizada na última sexta-feira (28) nas dependências do Canil do Bope, localizado no Comando Geral da Polícia Militar do Amapá, no bairro Beirol, zona sul de Macapá. O evento reuniu crianças em processo de reabilitação que tiveram a oportunidade de interagir com cães adestrados da unidade especializada, proporcionando uma experiência singular de contato animal voltada ao bem-estar integral dos participantes.
A cinoterapia com crianças autistas configura-se como uma abordagem complementar aos tratamentos convencionais, utilizando a interação humano-animal como ferramenta terapêutica. Durante a sessão, as crianças puderam vivenciar momentos de troca afetiva com os animais, estimulando processos sensoriais e emocionais fundamentais para o desenvolvimento integral.
Impactos terapêuticos da interação animal-criança
De acordo com Mário Coimbra, coordenador de reabilitação do Creap (Centro de Reabilitação), a cinoterapia com crianças autistas oferece múltiplos benefícios tanto na dimensão física quanto psicológica dos pacientes. O profissional ressaltou que a atividade promove saúde mental através de mecanismos específicos de interação.
"Os benefícios se dão através do contato e a troca de afeto; o prazer de rir, brincar com um animal, a sensação de bem-estar e conforto e, principalmente para a criança com autismo, os estímulos sensoriais físicos e emocionais que vão auxiliar na terapêutica que ele já realiza no Creap diariamente", explicou o coordenador durante a atividade.
A cinoterapia com crianças autistas funciona como catalisador de desenvolvimento comportamental e emocional. Os estímulos proporcionados pelo contato direto com animais treinados estimulam respostas neurológicas que complementam intervenções terapêuticas tradicionais, potencializando resultados em médio e longo prazo.
Histórias de transformação e inclusão
A pequena Daniela, com um ano de idade e portadora da Síndrome de Down, também participou do evento. Sua mãe, Valquíria Câmara, fonoaudióloga de formação, compartilhou percepções sobre a relevância da experiência para o desenvolvimento infantil.
"O projeto é muito importante porque ele traz uma vivência diferente. Assim, você entra em contato com animais e isso estimula muito a criança, no desenvolvimento geral dela. É um momento que essas crianças dão o melhor de si", comentou Valquíria sobre a importância da cinoterapia com crianças autistas para o crescimento multidimensional de seus filhos.
A participação de crianças com diferentes condições neurológicas na cinoterapia demonstra a versatilidade dessa metodologia terapêutica. A interação animal cria um ambiente seguro e motivador onde as crianças expressam potencialidades frequentemente bloqueadas em contextos convencionais.
Projeto Melhor Amigo: historicidade e retomada
O projeto Melhor Amigo, que fundamenta essas atividades de cinoterapia com crianças autistas, iniciou suas operações em 2019 com objetivos claros de inclusão terapêutica. Entretanto, a pandemia de Covid-19 interrompeu as atividades em 2020, impondo um hiato de três anos nas intervenções comunitárias.
Após a normalização das medidas sanitárias e a flexibilização das restrições, a cinoterapia com crianças autistas foi retomada em 2023, sinalizando a reafirmação do compromisso institucional com programas de reabilitação e inclusão social. Lino Medeiros, capitão responsável pelo canil do Bope, externalizou a intenção de intensificar a frequência das atividades ao longo do ano.
Perspectivas futuras e consolidação da prática
"A ideia é permanecer numa constante esse trabalho", afirmou o capitão Lino Medeiros em relação à continuidade e expansão da cinoterapia com crianças autistas. As decisões operacionais sobre frequência, número de participantes e duração das sessões permanecerão sob avaliação dos profissionais de saúde envolvidos no projeto.
A colaboração institucional entre o Creap e o Bope consolidou-se como modelo de sucesso para implementação de políticas públicas integradas. A cinoterapia com crianças autistas exemplifica como diferentes órgãos podem convergir esforços para criar espaços de desenvolvimento inclusivo e terapêutico na comunidade amapaense.
As atividades realizadas na sexta-feira contaram com a participação ativa de colaboradores do Centro de Reabilitação, que coordenaram as interações entre crianças e cães, garantindo segurança e máximo aproveitamento terapêutico. A iniciativa reafirma o compromisso com práticas humanizadas e inovadoras no campo da saúde mental infantil e reabilitação.



