Fux agenda audiência no STF para destravar empréstimo de R$ 6,6 bi ao BRB
Nova audiência marcada para destravar empréstimo ao BRB
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), agendou para o próximo dia 13 uma nova audiência de conciliação destinada a solucionar os impasses relacionados ao empréstimo BRB de R$ 6,6 bilhões. A decisão foi proferida nesta quarta-feira (5) e atende a uma solicitação formal do governo do Distrito Federal, que denunciou existir "inércia" tanto da União quanto do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) na efetivação do acordo homologado ao final de maio.
Partes que participarão da audiência de conciliação
Conforme a decisão do ministro, a audiência contará com a presença de representantes do governo do DF, da instituição bancária, da Advocacia-Geral da União, do Ministério da Fazenda, do Banco Central, do FGC e do Ministério Público Federal. Além disso, o Banco do Brasil enviará um delegado em nome do consórcio de instituições financeiras que analisa a concessão da operação de crédito de até R$ 6,6 bilhões para o Banco de Brasília.
Argumentação do governo do DF
Na petição encaminhada ao STF, o governo do DF argumentou: "Decorridos mais de dois meses da celebração do acordo [...] não há concessão, não há recusa, não há proposta, não há indicação de condições, de cronograma ou dos elementos que o Fundo repute necessários à análise nem há pela União o cumprimento das disposições contratuais". Tal demonstração de negligência justificou a intervenção do STF Luiz Fux para acelerar o processo.
Contexto da crise do Banco de Brasília
O cenário crítico vivenciado pelo BRB está intimamente vinculado às operações financeiras realizadas com o Banco Master durante os anos de 2024 e 2025, movimentações que somaram R$ 30 bilhões conforme registros da própria instituição. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero, apontando indícios de um presumível esquema de fraudes financeiras de magnitude bilionária, abrangendo parcela considerável dessas transações realizadas.
Investigações e prisões relacionadas
Posterior investigação, em abril do ano vigente, resultou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A corporação policial federal acusa o executivo de ter possibilitado negócios com o Master destituídos de lastro adequado e sem observância dos protocolos convencionais de governança corporativa. As operações sob investigação evidenciam graves falhas nos controles internos e na supervisão administrativa.
Estimativas de prejuízos e títulos fraudulentos
A instituição estima que aproximadamente R$ 8,8 bilhões dos créditos provenientes do Master e adquiridos pelo BRB constituem títulos inexistentes, manipulados fraudulentamente ou de recuperação altamente problemática. Essa massa de "crédito podre" representa uma ameaça potencial ao patrimônio líquido da instituição, podendo originar um expressivo rombo em seus demonstrativos contábeis.
O governo afirma ser possível recuperar R$ 2,2 bilhões mediante implementação de outras estratégias, permanecendo necessária a obtenção do empréstimo de R$ 6,6 bilhões para suplementar os fundos faltantes. Essa seria a solução financeira capaz de cobrir integralmente o diferencial não recuperável através de outros mecanismos.
Implementação do plano de capitalização
Conforme divulgado anteriormente, o período de 180 dias para que o BRB executasse o plano de capitalização BRB apresentado ao Banco Central em fevereiro findou nesta quarta-feira, porém as providências de maior envergadura ainda não foram materializadas. O documento foi submetido em 6 de fevereiro como um "plano de capital preventivo", incluindo múltiplas medidas destinadas a fortalecer, caso necessário, o patrimônio do banco após a sequência de operações fracassadas envolvendo o Banco Master.
Medidas implementadas e pendências
Desde então, a necessidade de fortalecimento patrimonial foi confirmada. O BRB divulgou porções dos números relacionados ao déficit e algumas providências para combatê-lo, entre elas o empréstimo de até R$ 6,6 bilhões e uma negociação com um fundo especializado para administrar aproximadamente R$ 15 bilhões em ativos provenientes do Master. Contudo, o empréstimo permanece pendente, aguardando autorização dos maiores bancos públicos e privados da nação.
Situação atual e perspectivas
A etapa do empréstimo BRB que demanda aprovação constitui exatamente o ponto a ser debatido na audiência de conciliação acionada pelo ministro Fux. Anteriormente, um acordo com o fundo Quadra Capital, que visava negociar ativos problemáticos, foi desfeito em junho, conforme relatado por publicações especializadas. Essa sequência de reveses e atrasos evidencia a complexidade e a urgência da situação vivenciada pela instituição financeira brasiliense.
A audiência agendada para janeiro representa uma oportunidade crítica para que as partes envolvidas, sob supervisão do judiciário, consigam finalmente avançar na solução de uma das mais significativas crises financeira BRB dos últimos anos, com repercussões potenciais para a estabilidade financeira local e nacional.




