Haddad repudia críticas de Tarcísio a Marina e Tebet

Haddad condena ataques a candidatas ao Senado
O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, qualificou como "agressão gratuita a duas mulheres" as críticas de Tarcísio de Freitas contra as pré-candidatas ao Senado Marina Silva e Simone Tebet. A declaração foi feita a jornalistas na sexta-feira em São Paulo, antes da participação de Haddad em podcast político.
Haddad expressou espanto com as falas do governador, argumentando que divergências políticas devem ser debatidas no campo das ideias, não através de ataques pessoais. O petista defendeu o respeito às trajetórias das duas mulheres, independentemente de concordância com suas pautas.
O que disse Tarcísio sobre Marina e Tebet
Dois dias antes, durante evento ao lado do deputado federal Guilherme Derrite, o governador Tarcísio afirmou que Marina Silva e Simone Tebet "não começaram a fazer política em São Paulo" e que as duas "levaram cartão vermelho" nos estados onde construíram suas carreiras políticas. As declarações geraram reações das candidatas e críticas de aliados políticos.
A argumentação de Tarcísio levanta questionamento sobre a origem geográfica de candidatos, tema que se torna particularmente relevante considerando a própria trajetória do governador. Natural do Rio de Janeiro, Tarcísio é torcedor do Flamengo e viveu em Brasília desde a adolescência antes de se transferir para São Paulo em 2022, quando foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para disputar o governo estadual.
Reações das pré-candidatas
Marina Silva respondeu enfatizando que São Paulo "acolhe pessoas de todo o Brasil e do mundo", recordando que foi tratada no Hospital das Clínicas quando enfrentou problemas de saúde na juventude. Simone Tebet, por sua vez, destacou que paga impostos no estado há dez anos e que é "cortiniana, não flamenguista", em referência indireta ao governador.
Ambas as candidatas aparecem à frente dos candidatos apoiados por Tarcísio nas pesquisas de intenção de voto para o Senado. Marina é deputada federal por São Paulo desde 2022, nascida no Acre, enquanto Tebet nasceu em Mato Grosso do Sul e disputa pela primeira vez um cargo eletivo no estado.
Marco legal: o que exige a legislação
A legislação brasileira não estabelece exigência de que candidatos tenham construído carreira política no estado onde pretendem disputar eleições. Conforme a Constituição Federal e a Lei Eleitoral, os requisitos para concorrer a cargo eletivo incluem: nacionalidade brasileira, pleno exercício dos direitos políticos, alistamento eleitoral, domicílio eleitoral na circunscrição pelo prazo de seis meses antes do pleito, filiação partidária e idade mínima estabelecida para o cargo.
O local de nascimento não constitui critério legal para elegibilidade. Dessa forma, é juridicamente possível que uma pessoa nascida em outro estado dispute qualquer cargo eletivo, desde que cumpra os requisitos constitucionais e eleitorais.
Precedentes políticos em São Paulo
São Paulo possui vários exemplos de candidatos e políticos que chegaram de outras regiões do país. O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi um dos parlamentares mais votados do estado em 2018 e permaneceu entre os mais votados em 2022, apesar da família ter construído sua carreira política no Rio de Janeiro.
Carlos Bolsonaro, irmão de Eduardo, foi o vereador mais votado do Rio de Janeiro em 2024 e renunciou à Câmara Municipal para se mudar a Santa Catarina e disputar vaga ao Senado em 2025. A deputada federal Rosângela Wolff Moro, nascida em Curitiba, transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo e foi eleita em 2022, enfrentando processo do PT que foi arquivado.
Histórico de políticos na capital paulista
A cidade de São Paulo já teve prefeitos que não nasceram no município. Luiza Erundina, nascida na Paraíba, construiu carreira como assistente social e foi eleita prefeita em 1989 pelo PT, sendo reeleita sucessivamente como deputada federal por sete mandatos. Celso Pitta, nascido no Rio de Janeiro, se mudou para São Paulo em 1987 e tornou-se prefeito em 1996, sucedendo Paulo Maluf.
Jânio Quadros, nascido em Campo Grande no Mato Grosso do Sul, mudou-se para São Paulo para estudar Direito, tornando-se prefeito da capital duas vezes, governador do estado e presidente da República. O cearense Tiririca, palhaço de formação, figurou entre os deputados federais mais votados do país em duas eleições consecutivas.
O caso Fernando Henrique Cardoso
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, nascido no Rio de Janeiro, mudou-se para São Paulo aos oito anos. Estudou sociologia e economia na Universidade de São Paulo, onde foi professor antes de ingressar na carreira política. Em 1985, candidatou-se a prefeito de São Paulo pelo PMDB, sendo derrotado por Jânio Quadros em eleição acirrada com diferença inferior a um por cento.
Posteriormente, Cardoso foi eleito senador constituinte entre 1987 e 1988, participando da elaboração da Constituição Federal promulgada naquele ano. Sua campanha ao Senado contou com apoio de Luiz Inácio Lula da Silva, então ex-metalúrgico, gerando fotos históricas dos dois fazendo panfletagem juntos no ABC paulista e na capital. Ambos se tornaram adversários políticos e presidentes da República nas décadas seguintes.



