Jessé é celebrado 33 anos depois em álbum de Moisés Navarro

Quem foi Jessé: a trajetória do cantor revelado no Festival MPB-80
Jessé, grande cantor e ícone da música brasileira dos anos 1980, segue sendo lembrado através de novas gravações décadas após seu trágico falecimento. Nascido como Jessé Florentino Santos em 25 de abril de 1952 em Niterói, Rio de Janeiro, o artista construiu uma carreira marcante que permanece viva na memória dos fãs e agora ressurge em um álbum tributo lançado pela cantora e produtor Moisés Navarro.
A história de Jessé começa em um contexto peculiar do mercado fonográfico brasileiro. Durante os anos 1970, era prática comum entre artistas nacionais adotarem pseudônimos em inglês para se apresentarem como astros norte-americanos. Inicialmente, Jessé utilizou o nome Christie Burgh ao regravar em 1976 a música "Flying", lançada originalmente pelo cantor irlandês Chris de Burgh em 1974. Após enfrentar ameaças legais por semelhança de nomes, adotou ainda em 1976 o pseudônimo Tony Stevens, mantido até 1977.
A consagração no Festival MPB-80
O grande destaque na carreira de Jessé ocorreu em 1980, quando, após ser vocalista do grupo Placa Luminosa, o cantor se apresentou no Festival MPB-80 da TV Globo com seu próprio nome. Nesta ocasião, defendeu a música "Porto solidão", composição de Zeca Bahia baseada em versos do poeta Antonio Ginco, conhecido como Gincko. A performance marcante levou a canção a se tornar um dos maiores sucessos daquele festival, alavancando definitivamente a carreira de Jessé.
O sucesso de "Porto solidão" impulsionou o lançamento de seu primeiro álbum em 1980, que incluía as composições "Campo minado" e "Voa, liberdade". Posteriormente, Jessé gravou outros trabalhos que consolidaram seu lugar no cenário musical brasileiro, como o álbum "Jessé" lançado em 1982 e o álbum duplo ao vivo "O sorriso ao pé da escada" em 1983.
Discografia e últimas gravações
Durante sua carreira, Jessé interpretou uma diversidade de canções que refletiam a riqueza da música popular brasileira. Gravou clássicos como "A noite do meu bem" de Dolores Duran, "Romaria" de Renato Teixeira, "Irmãos da lua" também de Teixeira, e "Paz do meu amor" de Luiz Vieira. Seu trabalho final foi o álbum "Raízes", lançado em 1992, pouco antes de seu falecimento.
O trágico fim e a lembrança através de tributos
Jessé faleceu em 29 de março de 1993, com apenas 40 anos, vítima de um acidente automobilístico em estrada próxima à cidade de Ourinhos, São Paulo. Sua morte prematura interrompeu uma carreira que ainda tinha muito a oferecer ao público.
Novo álbum tributo: "Alguém cantando"
Trinta e três anos após o falecimento de Jessé, o cantor e produtor mineiro Moisés Navarro lança o álbum "Alguém cantando", previsto para 13 de novembro, em edição da Companhia de Discos do Brasil. O trabalho resgata composições interpretadas pelo homenageado e propõe novas leituras dessas canções.
O álbum recebeu este título em referência à composição "Alguém cantando", música de autoria de Caetano Veloso lançada originalmente em 1977 no álbum "Bicho". Jessé regravou esta canção dez anos depois, em 1987, para seu álbum "Eterno menino".
Detalhes artísticos da produção
A direção musical do álbum "Alguém cantando" ficou a cargo do conceituado pianista Alexandre Vianna, responsável pelos arranjos das dez músicas que compõem o trabalho. Entre as faixas estão interpretações de Moisés Navarro para canções como "Porto solidão", apresentada em dueto com Claudya, bem como releituras de "Onde está você" de Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini, e "Solidão de amigos", gravada com as participações especiais de Zeca Baleiro e Chico Lobo.
O repertório do álbum tributo reflete a versatilidade de Jessé e sua capacidade de interpretar diferentes estilos dentro da tradição musical brasileira. Além das canções já mencionadas, a produção inclui outros sucessos que marcaram a carreira do cantor homenageado, reunindo parte significativa de seu legado artístico.
O legado de Jessé na música brasileira
Mesmo com seu trágico desaparecimento há mais de três décadas, Jessé permanece como importante referência na história da música popular brasileira, especialmente pelo seu trabalho no Festival MPB-80 e pela qualidade interpretativa de suas gravações. A iniciativa de Moisés Navarro em lançar um álbum tributo demonstra a relevância contínua do trabalho do cantor e a necessidade de manter viva sua memória para novas gerações de apreciadores de música brasileira.




