Museu de Arte Murilo Mendes recebe certificação oficial do Ibram

Museu de Arte Murilo Mendes conquista certificação oficial do Ibram
O Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm), vinculado à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), obteve oficialmente a certificação do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), consolidando seu reconhecimento institucional no país. A instituição recebeu o selo "Museu Registrado" em junho de 2024, integrando um grupo seleto de apenas 172 museus brasileiros certificados. Com essa certificação Ibram, o Mamm reafirma seu compromisso com a excelência na gestão cultural e acesso público à arte.
Aos 13 anos de funcionamento, a instituição juiz-forana se destacou entre os museus brasileiros e passou a integrar um rol de apenas 31 museus mineiros detentores dessa certificação. Na região de Juiz de Fora, a certificação Ibram do Mamm soma-se a outras instituições já reconhecidas, como o Museu Regional de São João del Rei, a Pinacoteca e o Museu Histórico da Universidade Federal de Viçosa (UFV), além do Museu de Ciências da Terra Alexis Dorofeev, também em Viçosa.
Significado da certificação para a instituição
Segundo Ricardo Cristófaro, diretor do museu, a certificação Ibram representa muito mais do que um simples reconhecimento administrativo. O selo confere status diferenciado à instituição, habilitando-a para participação em editais competitivos destinados à captação de recursos e estabelecimento de parcerias em programas de alcance nacional e internacional. Além disso, permite o intercâmbio de exposições com outras instituições culturais em âmbito global.
"Possuir o selo 'Museu Registrado' nos dá um certo status. Nem todo espaço museológico tem este reconhecimento por parte do governo federal. Isso nos diferencia e habilita a participar de editais para captar recursos e parcerias em programas nacionais e internacionais, além de intercâmbio de exposições", destacou Cristófaro em entrevista especializada.
Profissionalização e normatização do setor museológico
A trajetória da certificação Ibram está inserida em um contexto maior de profissionalização do setor museológico brasileiro. Até 2009, qualquer espaço poderia receber a nomenclatura de museu, sem critérios objetivos de classificação. Com a criação do Instituto Brasileiro de Museus naquele ano, houve normatização clara acerca do que constitui efetivamente um museu, diferenciando-o de simples coleções de interesse cultural.
Cristófaro explicou que o processo de profissionalização envolve a organização sistemática de diversos aspectos institucionais. "Quando o Mamm foi criado, utilizou a prerrogativa de atribuir a qualquer coleção museológica e a espaço a nomenclatura de museu. A partir de 2009, com a criação do Ibram, foi normatizado o que é museu e o que é coleção de interesse, e o instituto vem no trabalho de profissionalizar a gestão do espaço, recursos humanos, levantamento de riscos e acervos, organizando o sistema", comentou o diretor.
Como exemplo prático dessa distinção, o diretor mencionou o Memorial Itamar Franco, que funciona nas proximidades do Mamm. Essa instituição, apesar de possuir acervo relevante, não recebe a classificação de museu, mas sim de espaço de interesse cultural, demonstrando a precisão das definições introduzidas pela certificação Ibram.
Processo para obtenção da certificação Ibram
O processo que levou à certificação Ibram do Mamm iniciou-se em 2017, sob coordenação da museóloga Raquel Barbosa e do restaurador Aloísio Arnaldo de Castro. A documentação necessária foi cuidadosamente preparada e submetida ao Instituto Brasileiro de Museus em setembro daquele ano. Durante a análise, a instituição recebeu solicitações adicionais de informações, todas devidamente respondidas.
Os avaliadores analisaram minuciosamente aspectos-chave como missão institucional, qualidade do acervo, relevância cultural, composição do conselho curador, estrutura diretiva e plano museológico trienal. Após essa avaliação rigorosa, o museu foi credenciado e recebeu o selo que comprova seu registro oficial junto ao Ibram.
História e acervo do Museu de Arte Murilo Mendes
Inaugurado em 2005, o Museu de Arte Murilo Mendes funciona como guardião do legado intelectual e artístico do poeta juiz-forano Murilo Mendes. A instituição abriga não apenas o acervo bibliográfico e de artes visuais do poeta homenageado, mas também promove exposições regulares, programação cultural variada e atividades educativas, todas abertas ao público sem custo.
O espaço física agrega diversas bibliotecas e hemerotecas temáticas, incluindo a Biblioteca e Hemeroteca Dormevilly Nóbrega, a biblioteca da escritora Cleonice Rainho, acervos das famílias Cosette de Alencar, do arquiteto Arthur Arcuri, do artista plástico João Guimarães Vieira e da autora Maria de Lourdes de Oliveira. Essa multiplicidade de coleções transforma o Mamm em repositório significativo de memória cultural regional.
Conforme detalhou Cristófaro, o acervo divide-se em categorias bem definidas: o acervo original, composto pelos bens bibliográficos e pinacoteca do poeta Murilo Mendes, e o acervo expandido, que reúne obras relacionadas à literatura, artes visuais, arquitetura e arte moderna contemporânea brasileira, com ênfase particular na arte juiz-forana.
Programação cultural e visitação
O Museu de Arte Murilo Mendes oferece acesso gratuito ao público, funcionando de terça a sexta, das 9h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 12h às 18h. Atualmente, a instituição apresenta múltiplas exposições, incluindo mostras focadas no acervo brasileiro, técnicas de gravura na Coleção Murilo Mendes e a exposição retrospectiva do artista brasileiro Farnese de Andrade, baseada em apresentação realizada em 1979.
Desde abril deste ano, a instituição retomou o Projeto Coletivo Cultural, disponibilizando transporte em ônibus para que estudantes de instituições públicas de Juiz de Fora possam visitar o museu, democratizando ainda mais o acesso à cultura. Nesta semana, o museu receberá atrações da 29ª edição do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, ampliando seu calendário de eventos culturais.
Benefícios da certificação Ibram para museus
A certificação Ibram oferece vantagens significativas para instituições museológicas que a conquistam. O reconhecimento aumenta a visibilidade do museu em plataforma nacional especializada (Plataforma Museusbr) e em registros internacionais, como o Registro de Museus Ibero-americano (RMI). Facilita também o compartilhamento de informações aprofundadas com a sociedade sobre as atividades e acervos museológicos.
Além disso, a certificação auxilia órgãos governamentais na qualificação de políticas públicas voltadas para o setor, facilita a adesão ao Sistema Brasileiro de Museus e permite que museus certificados exerçam direito de preferência em casos de Declaração de Interesse Público. Finalmente, habilita as instituições a participar de editais do Ibram e de outras entidades que promovam fomento museológico com exigência de reconhecimento formal.
Requisitos para obtenção do selo
Desde janeiro de 2017, o processo para obter a certificação Ibram segue procedimentos padronizados. Interessados devem preencher e assinar o Formulário de Solicitação de Registro, fotocopiar documentação solicitada e encaminhar o material completo ao Ibram ou à entidade registradora local quando disponível. A certificação Ibram representa, portanto, o culminar de um processo administrativo rigoroso que valida a excelência institucional.
Para informações complementares sobre programação, exposições e horários de funcionamento, interessados podem consultar a página oficial do Museu de Arte Murilo Mendes e seus perfis oficiais nas redes sociais Facebook e Instagram. A conquista da certificação Ibram consolida o museu como instituição de referência na preservação e difusão do patrimônio cultural juiz-forano e brasileiro.


