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Pedidos de pesquisa de terras raras explodem com 3 mil solicitações

Pedidos de pesquisa de terras raras explodem com 3 mil solicitações
Fonte: g1.globo.com/economia/noticia/2026/06/20/pedidos-de-autorizacao-de-pesquisa-para-terras-raras-explodem-mas-agencia-teme-que-bloqueios-orcamentarios-causem-prejuizos.ghtml

O aumento explosivo nos requerimentos de terras raras

As terras raras se tornaram o centro de atenção do setor mineral brasileiro. Desde 2023, o Brasil tem registrado um crescimento extraordinário nos pedidos de autorização para pesquisa de terras raras, conforme apontam dados da Agência Nacional de Mineração (ANM). Este boom representa uma transformação significativa no interesse pelos minerais mais cobiçados da indústria moderna.

Os números revelam a magnitude dessa transformação. Entre 2023 e o início de junho, foram contabilizados aproximadamente 3 mil requerimentos de pesquisa de terras raras. Para contextualizar essa expansão, basta comparar com o período anterior: entre 1975 e 2022, foram registrados apenas 745 requerimentos no total. Essa mudança drástica reflete a percepção crescente sobre a relevância estratégica desses minerais no cenário global.

O que são terras raras e por que importam

As terras raras constituem um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza, normalmente misturados a outros minérios de extração complexa e elevado valor comercial. Embora desconhecidas pelo público em geral, esses minerais são absolutamente essenciais para a economia moderna.

A importância das terras raras transcende setores específicos. Elas são fundamentais na fabricação de turbinas eólicas, baterias para veículos elétricos, cabos de transmissão, foguetes, equipamentos médicos, armamentos e dispositivos eletrônicos de última geração. Com papel central na transição energética, defesa nacional e produção de tecnologia avançada, essas substâncias se posicionam no centro de disputas e negociações geopolíticas internacionais.

Brasil e seu potencial estratégico em terras raras

O Brasil possui as maiores reservas de terras raras do planeta depois da China, colocando o país numa posição privilegiada na cadeia global desses minerais. O governo brasileiro tem buscado ampliar sua participação no mercado internacional, firmando acordos de cooperação e memorandos de entendimento com outras nações para acelerar estudos e investimentos setoriais.

O requerimento de pesquisa representa a primeira fase de um longo processo até a concessão da lavra, quando uma empresa recebe autorização para explorar efetivamente uma jazida. O crescimento exponencial desses pedidos sinaliza confiança do setor privado no potencial brasileiro e nas oportunidades futuras de mineração de terras raras.

As dificuldades orçamentárias da ANM

Apesar do potencial promissor, as atividades relacionadas às terras raras enfrentam obstáculos sérios. Um bloqueio de R$ 22,7 milhões no orçamento da Agência Nacional de Mineração ameaça comprometer operações críticas. O diretor-presidente da autarquia, Mauro Sousa, alertou que essa restrição forçará a agência a revisar prioridades num cenário já marcado pela escassez de recursos.

Segundo Sousa, a limitação orçamentária significa alocar recursos da melhor forma possível, mas nem todas as atividades serão desenvolvidas nos prazos necessários. O setor responsável pelos minerais críticos e estratégicos opera com uma estrutura extremamente modesta, contando com apenas quatro servidores que comandam estudos e ações relacionados ao tema.

Impacto na estrutura institucional brasileira

A contradição entre os objetivos estratégicos do Brasil e a redução de recursos destinados à ANM preocupa lideranças do setor. O diretor-presidente questiona como o Estado brasileiro pode cumprir seus compromissos internacionais com uma estrutura institucional enfraquecida financeiramente. Segundo ele, o país criou compromissos internacionais que demandam capacidade institucional adequada, e os cortes orçamentários prejudicam essa capacidade de resposta.

Efeitos cascata em outras operações minerárias

O bloqueio não afeta apenas terras raras. As restrições orçamentárias ameaçam também leilões de áreas para exploração e operações críticas de fiscalização de barragens. Caso a limitação de recursos seja mantida, 43 barragens e 18 pilhas de mineração que deveriam receber inspeções técnicas até o final do ano poderão ficar fora do cronograma previsto.

Essas inspeções são essenciais, pois subsidiam decisões regulatórias, ações de fiscalização e avaliações de segurança operacional. Algumas estruturas previstas para vistoria exigem monitoramento contínuo devido ao potencial impacto social, ambiental e econômico, incluindo instalações localizadas próximas a comunidades e áreas ambientalmente sensíveis.

Riscos para a análise de processos minerários

A restrição de recursos também compromete etapas essenciais para a análise de procedimentos minerários. Muitos processos dependem de vistorias de campo para aprovação de Relatórios Finais de Pesquisa e Planos de Aproveitamento Econômico (PAEs), documentos que detalham como uma jazida será explorada comercialmente.

Sem essas verificações presenciais, a tramitação de processos tende a ficar mais lenta, retardando investimentos e a entrada de novos empreendimentos em operação. Essa desaceleração administrativa pode prejudicar a competitividade brasileira no mercado global de terras raras justamente quando o país deveria estar acelerando suas operações para capitalizar seu potencial estratégico.

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