Aprovação de Trump cai a 33% com piora na economia

Queda acentuada na aprovação presidencial
A aprovação de Trump atingiu 33%, representando o ponto mais baixo desde o início de seu segundo mandato, conforme divulgado por pesquisa do instituto Focaldata para o Financial Times no sábado (5). A aprovação de Trump apresentou queda de 3 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, consolidando uma trajetória descendente que começou em maio, quando o jornal iniciou essa série de acompanhamento da aceitação do presidente junto ao eleitorado americano.
O resultado reflete um cenário de desgaste político que vai além da média de desaprovação histórica. Entre republicanos, a aprovação de Trump atingiu 72%, também o nível mais baixo registrado pelo levantamento nesse segmento de eleitores, indicando que a erosão de apoio não se limita a democratas e independentes, mas alcança a própria base do partido.
Economia como fator determinante de desaprovação
A percepção sobre a situação econômica surge como principal componente do desgaste enfrentado pelo presidente. Quase dois terços dos eleitores ouvidos apontaram que a economia americana segue na direção errada, enquanto 57% relataram estar financeiramente pior desde a posse de Trump na Casa Branca.
Essa proporção aumentou em relação ao levantamento anterior, quando 53% dos entrevistados informavam deterioração de sua situação financeira pessoal. As pressões econômicas se manifestam principalmente em despesas cotidianas, como combustível e alimentos, setores onde os consumidores sentem diretamente o impacto da inflação.
Paradoxo da promessa econômica não cumprida
O desafio apresentado a Trump possui dimensão particularmente crítica considerando suas promessas de campanha. O presidente retornou à Casa Branca com compromisso explícito de reduzir o custo de vida para os americanos, questão que havia sido central durante o governo Biden, quando pesquisas indicavam a inflação como uma das maiores fontes de preocupação financeira dos eleitores.
A incapacidade de entregar melhoria rápida nessa área pode pesar especialmente entre o eleitorado que esperava transformação econômica imediata. A escalada de preços em itens essenciais como gasolina e alimentos permanece como ponto de fricção permanente entre a promessa política e a realidade enfrentada pelas famílias americanas.
Rejeição às políticas tarifárias
A política comercial implementada pelo governo também enfrenta resistência generalizada entre o eleitorado. Segundo a pesquisa, 56% dos eleitores registrados desaprovam a decisão de Trump de aplicar tarifa de 50% sobre aproximadamente US$ 20 bilhões em produtos canadenses, medida que provocou resposta equivalente do governo canadense.
Essa escalada tarifária amplifica preocupações com custos adicionais para consumidores dos dois países, criando ciclo de retaliação comercial que prejudica negócios e aumenta despesas dos cidadãos comuns. A rejeição a essas políticas reflete compreensão do eleitorado sobre as consequências práticas das tarifas no orçamento doméstico.
Erosão de apoio dentro da base republicana
A queda na aprovação de Trump penetrou profundamente na própria base política. Entre eleitores republicanos, 72% ainda aprovam o desempenho geral do presidente, porcentual que representa queda de mais de 2 pontos em relação ao levantamento anterior e constitui o menor nível registrado nessa série.
O desgaste se intensifica quando avaliada especificamente a atuação de Trump em empregos e economia. Apenas 53% dos republicanos aprovam o desempenho presidencial nessa área, redução de quase 8 pontos comparada ao mês anterior. Esse resultado demonstra que, embora maioria republicana ainda aprove o presidente genericamente, a avaliação sobre economia deteriorou-se de forma particularmente acentuada dentro da própria base de apoio.
Impacto previsto nas eleições de meio de mandato
A pesquisa foi divulgada menos de dois meses antes das eleições de meio de mandato americanas, marcadas para novembro, quando os americanos escolherão representantes para o Congresso, incluindo todas as 435 cadeiras da Câmara e parte do Senado. O levantamento aponta vantagem de 7,5 pontos percentuais para democratas na votação genérica para o Congresso, aumento considerável comparado aos 5 pontos registrados no levantamento anterior.
A influência de Trump no processo eleitoral merece destaque especial. Conforme a pesquisa, 46% dos eleitores disseram que a presença do presidente torna mais difícil para candidatos republicanos vencerem as eleições, enquanto apenas 17% afirmaram que ele facilita vitórias. Entre eleitores independentes, 53% consideram que Trump prejudica as chances republicanas.
Endosso presidencial como fator negativo
Quando perguntados sobre o efeito de eventual endosso de Trump a candidatos específicos ao Congresso, 43% dos eleitores responderam que ficariam menos propensos a votar nesses candidatos, contrapostos a apenas 23% que se mostrariam mais propensos. Entre eleitores independentes, 47% afirmaram que seriam menos propensos a apoiar candidatos que recebessem endosso presidencial.
Esse padrão de rejeição ao endosso trumpista reflete o desafio estratégico que candidatos republicanos enfrentarão nas semanas que antecedem as eleições: ao mesmo tempo em que dependem da mobilização de eleitores da base, muitos candidatos podem temer que associação muito próxima com Trump afaste votantes moderados e independentes cruciais para vitória eleitoral.




