Péricles domina Rock in Rio com tributo soul Motown

Péricles reimagina sua carreira com tributo à Motown Records
Péricles Rock in Rio ganhou uma nova dimensão artística quando o cantor subiu ao Palco Sunset do festival para realizar uma apresentação histórica dedicada exclusivamente à Motown Records. Diferente de seus shows convencionais, onde combina sucessos do samba e pagode com clássicos internacionais, desta vez o artista abraçou integralmente o repertório do soul e do R&B norte-americano, utilizando o português apenas para se comunicar com a plateia.
A decisão de transformar um tributo à gravadora que revolucionou a música popular norte-americana em um show especial para Péricles Rock in Rio partiu de Zé Ricardo, vice-presidente artístico da Rock World. O cantor aceitou imediatamente a proposta, reconhecendo a importância histórica e cultural dessa iniciativa para o festival.
A história transformadora da Motown Records
Fundada em 1959 por Berry Gordy Jr., a Motown Records representa um marco crucial na integração racial da música popular norte-americana. Durante uma época em que diversos estados dos EUA mantinham segregação racial, a gravadora produzia e lançava quase exclusivamente artistas negros, criando uma plataforma para o surgimento de ícones mundiais.
A importância da Motown transcende números e datas. A gravadora foi responsável por formar gerações de talentos que transformaram o cenário musical internacional. Diana Ross, The Supremes, Stevie Wonder, Marvin Gaye, The Jackson 5, The Temptations, Lionel Richie, Martha & The Vandellas e Smokey Robinson & The Miracles estavam entre os artistas que fizeram história em seus estúdios. Cada um deles contribuiu para a construção de um legado que continua influenciando artistas contemporâneos.
Péricles encontra inspiração na Motown para sua própria jornada
Para Péricles, a Motown Records não representa apenas um catálogo de sucessos, mas uma fonte de inspiração profunda. Em conversa recente com a imprensa, o artista revelou como a trajetória da gravadora o motivou a tomar decisões empreendedoras importantes em sua carreira. A coragem de Berry Gordy Jr. em criar seu próprio caminho serviu como modelo para que Péricles fundasse sua empresa, a Farias Produções, e seu próprio selo discográfico.
"Exemplos como o Motown mexem com a gente", afirmou Péricles ao comentar sobre a influência da gravadora em suas escolhas profissionais. Essa conexão pessoal com a história da Motown conferiu autenticidade e propósito ao show realizado no Rock in Rio 2026.
Um setlist que comprova o título de Rei da Voz
Vestindo um figurino completamente prateado e uma capa estampada com fotos de artistas da Motown, Péricles abriu sua apresentação com uma declaração de intenções ao cantar "Ain't No Mountain High Enough", de Marvin Gaye, seguido imediatamente por "I Want You Back" do Jackson 5. O show prosseguiu com catorze músicas no total, cada uma delas um clássico inegável do soul e do R&B norte-americano.
A seleção musical incluiu performances memoráveis de "My Girl" (The Temptations), "Cruisin'" (Smokey Robinson), "I'll Be There" (Jackson 5), "End of The Road" (Boyz II Men), "Let's Get It On" e "All Night Long" (Lionel Richie). O encerramento aconteceu com "ABC" e "Superstition" (Stevie Wonder), ambas do Jackson 5 e Stevie Wonder respectivamente, consolidando uma jornada sonora completa pelo repertório da lendária gravadora.
Versatilidade vocal em destaque no palco do festival
Apoiado por uma banda de nove músicos e quatro backing vocalists criados especialmente para o festival, Péricles demonstrou por que recebeu o apelido de "Rei da Voz". Sua versatilidade vocal não apenas não decepcionou, como transcendeu as expectativas, mostrando camadas de sua artisticidade raramente exploradas em seus shows tradicionais de samba e pagode.
Durante toda a apresentação, o artista manteve uma conexão genuína com o público, alternando momentos de performance vocal intensa com instantes de descontração, dança e interação com a plateia. Observadores presentes notaram que Péricles pareceu completamente à vontade no palco, como se realizasse aquele espetáculo especial regularmente, apesar de ser uma criação exclusiva para o Rock in Rio 2026.
Desafios paralelos e preparação intensiva
Impressionante considerar que os ensaios para o show dedicado à Motown Records ocorreram em paralelo à produção e gravação de um novo álbum do artista, que será lançado no final de setembro. Essa agenda acumulada não afetou a qualidade da apresentação, evidenciando a profissionalismo e dedicação de Péricles com seus compromissos artísticos.
Perspectivas futuras para o samba no Rock in Rio
Embora Péricles Rock in Rio tenha consolidado sucesso com o tributo à Motown, o artista alimenta esperanças de um dia subir ao palco principal do festival para apresentar sua própria história no samba e no pagode. Anteriormente, em 2024, Péricles já havia participado de uma apresentação homenageando Alcione, cantando clássicos como "Sufoco" e "Você Me Vira a Cabeça".
Artistas como Belo também abriram caminho para o gênero no festival, aparecendo no Palco Favela quase simultaneamente com Péricles. O cantor já preparou um discurso eloquente para defender maior espaço do samba e pagode no evento: "Quando a gente fala de rock, a gente fala da atitude rock and roll, atitude de revolucionar. O samba já vem mostrando isso há muito tempo. E num palco como o Rock in Rio, nada mais justo do que a gente ter outras vertentes de movimentos e segmentos que fazem a diferença, que fazem a revolução", declarou Péricles à imprensa.
Com essa apresentação no Palco Sunset, Péricles reafirmou seu status como artista versátil e preparado para qualquer desafio musical, abrindo possibilidades para futuras colaborações entre os gêneros que tanto ama e representa.




